A edição de domingo, 16, do JORNAL DE FATO mostrou o abuso praticado
pelo mercado de combustíveis de Mossoró, que vende o litro da gasolina
mais caro do Rio Grande do Norte e está entre os primeiros do Nordeste.
Para quem produz petróleo, um absurdo. Como explicar tal disparate ao cidadão comum?
Difícil de entender o produto ser extraído de sua terra e vendido mais caro do que em áreas que importam.
Não vamos entrar no debate do cartel, até porque é outra situação,
mas apontar a causa – ou a principal delas – para o preço chegar ao
consumidor de forma exorbitante: a falta de uma refinaria. O petróleo
produzido aqui sai, em proporção desigual, para ser refinado no Rio de
Janeiro ou em São Paulo e a gasolina volta com todo o peso tarifário
praticado pelo Governo Federal. Impacto na bomba e no bolso dos
mossoroenses.
É salutar que o consumidor faça o seu próprio julgamento quando o
frentista apresentar a conta, lembrando que se o Rio Grande do Norte
tivesse uma classe política unida e forte, de forma concreta, defendendo
os interesses do Estado, já teria trazido a refinaria de petróleo,
negada até aqui pelo governo central.
É absurdo aceitar que o Estado de Pernambuco, que não produz um pingo
de petróleo, receba a refinaria que, por dever de justiça, deveria ser
do Rio Grande do Norte.
Também é lamentável que os Estados do Maranhão e Ceará recebam tal
investimento, quando sequer se aproximam da produção potiguar.
Aí, o leitor pode lembrar: nós temos o presidente da Câmara dos
Deputados, um ministro do governo Dilma e o líder da oposição no
Congresso Nacional, para afirmar que somos fortes politicamente. Somos
não.
Nossos direitos são surrupiados a todo momento, como é o caso da
refinaria de petróleo, e sobram, apenas, investimentos pontuais, muito
mais pelos interesses de Brasília (DF) do que pela referência potiguar.
Então, enquanto o cidadão norte-rio-grandense não alertar para a
mudança de nomes e de representantes públicos, o Elefante continuará
adormecido. Infelizmente.
Fonte: http://defato.com/blog/cesar-santos/

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