Cedida
Condomínio Jardins de Mossoró está com as obras paralisadas há seis meses e sem previsão de entrega dos imóveis
O que era um sonho pode se tornar um
pesadelo sem hora para acabar. Em meio a muitas opções disponíveis no
mercado imobiliário, comprar um imóvel hoje em dia é tarefa que exige
muitos cuidados, paciência e garantia de estar fazendo um bom negócio.
O servidor público João Paulo Benevides se decepcionou com a demora
em assinar o contrato de um apartamento que sonhava em adquirir. "Dei
entrada em setembro de 2010 e em dois anos o contrato não foi assinado.
Eles ficaram só protelando dizendo que iam nos chamar no mês seguinte
para assinar e essa data nunca chegava. Ligavam para a gente atualizar o
cadastro, a gente ia lá, mas nunca chegou o contrato para assinar. Teve
um dia que não aguentei mais a demora e rescindi com a construtora",
disse.
Pela quebra do vínculo no ano passado, João Paulo perdeu 30% dos
cerca de R$ 2.800,00 que já tinha pagado à empresa. Hoje ele se programa
e pesquisa com mais critérios um novo imóvel para adquirir.
Situação ainda pior é a das pessoas que adquiriram um imóvel no
condomínio Jardins de Mossoró. A entrega das unidades da primeira etapa
estava prevista para dezembro de 2012, mas até agora nenhuma foi
entregue. A empresa construtora, a TBK Empreendimentos, está passando
por dificuldades financeiras e não sabe quando as obras serão retomadas,
muito menos quando as casas de dois pavimentos serão repassadas aos
clientes que já não estão mais pagando as prestações temendo perder o
dinheiro investido.
A gerente administrativa da empresa que tem sede em Fortaleza (CE) e
também é uma das adquirentes de um imóvel no local, Jorgiana Fontes,
disse que o processo de negociações acontece entre os diretores da
empresa. "No momento não tem nada definido de como vai ficar a situação.
A informação que a gente tem é que eles [os diretores] estão buscando
uma parceria. Houve uma negociação com uma construtora de Mossoró para
ela assumir a obra, mas não se chegou a um acordo por questões de
valores", explica.
O problema surgiu há aproximadamente um ano e há seis meses a obra
está completamente parada. Os operários foram demitidos e no local
funciona apenas o escritório da empresa com três funcionários no setor
administrativo, dois motoristas e segurança.
São 424 imóveis divididos em quatro etapas. Nas três primeiras, todas
as casas foram vendidas. Na quarta fase, 50% delas foram
comercializadas.
Nenhum imóvel está completamente pronto. Apenas a infraestrutura
básica de água, energia, saneamento, terraplanagem e pavimentação está
terminada.
Jorgiana Fontes se diz triste com os comentários de que a empresa
está dando um calote nos clientes. "Ninguém podia imaginar que um banco
como o BVA poderia quebrar e isso aconteceu. A TBK tinha o financiamento
feito por ele. Inclusive a empresa está processando eles [o BVA]. O
banco inviabilizou vários projetos no RN, muitos que ainda iam ser
lançados. Eu como funcionária e cliente espero que esse problema seja
resolvido o mais rápido possível", ressalta.
Atenção deve ser redobrada ao adquirir um imóvel
O superintendente comercial de uma empresa que atua no segmento de
desenvolvimento urbano, Carlos Paes Leme, disse que para fazer um bom
negócio é importante que o cliente verifique pessoalmente a localização
do terreno e avalie o potencial de crescimento da região.
Projetos para construção de comércios, empresas, shoppings, escolas e
obras públicas importantes, como melhorias de vias e de acessos, são
bons indicadores de que o imóvel logo terá uma alavancagem de
valorização superior à média do mercado.
"Outro cuidado é ler o contrato com atenção e ficar atento a índices
de correção, impostos e taxas, evitando surpresas financeiras. Também é
necessário se informar sobre a existência de restrições construtivas -
em bairros planejados, por exemplo, basta aprovar o projeto da casa dos
sonhos na Prefeitura, enquanto em condomínios fechados, frequentemente
há necessidade de submeter-se à aprovação da associação de moradores.
Não esquecer ainda de verificar se a empresa de vendas é devidamente
cadastrada no Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI)",
recomenda Paes Leme.
Na avaliação dele, grandes empreendedoras não costumam apresentar
problemas de documentação e abrem vendas somente após obterem o registro
de imóvel aprovado. "O prazo de entrega é mais vulnerável, pois envolve
variáveis que, muitas vezes, fogem do controle. Fatores climáticos,
como uma temporada prolongada de chuvas excessivas, dificuldades de mão
de obra, negociações com fornecedores e outros imprevistos podem ocorrer
ao longo da obra, gerando atrasos. Nos bairros planejados, porém,
quando há risco de descumprimento do prazo legal, é preciso renegociar
com a prefeitura", analisa.
Esses e outros problemas podem acontecer em qualquer tipo de
empreendimento, seja loteamento, residencial aberto ou em condomínio,
edifícios, entre outros. "O bairro planejado é uma modalidade de
loteamento aberto, mas também envolve um compromisso de urbanização da
região. Ou seja, o poder público tem interesses diretos envolvidos, o
que faz esses empreendimentos estarem submetidos a uma vigilância maior
dos órgãos municipais. Concluída a obra, a administração da área passa
às mãos das concessionárias de serviços e da própria prefeitura",
explica o superintendente comercial.
Como as empresas podem passar tranquilidade para os clientes? Paes
Leme responde que um dos principais avais de credibilidade vem do
sistema financeiro. "Obras securitizadas ou com financiamento bancário
para a execução são sólidas e costumam contar com a proteção adicional
de seguro para sua execução", finaliza.
Fonte: http://www.gazetadooeste.com.br/mossoro-quando-o-sonho-da-casa-propria-vira-pesadelo-16720
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