Ação de reparação de danos decorrente de ilícito civil é prescritível, diz Lewandowski
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O entendimento do Supremo
Tribunal Federal é que ação de reparação de danos à Fazenda Pública
decorrente de ilícito civil é passível de prescrição. Assim argumentou o
ministro Ricardo Lewandowski, do STF, ao deferir liminar em mandado de
segurança para suspender acórdão do Tribunal de Contas da União que
determinou o ressarcimento ao erário de valores referentes a convênio
firmado em 1999 entre o Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no
Estado de São Paulo e a Secretaria Estadual de Emprego e Relações do
Trabalho (Sert/SP), no qual foram utilizadas verbas federais.
Segundo Lewandowski, entendimento do Supremo é que ação de reparação de danos decorrente de ilícito civil é prescritível.
Carlos Moura/SCO/STF
Para o relator, foram preenchidos os requisitos da plausibilidade
jurídica do direito e do perigo da demora que autorizam a concessão da
liminar. O ministro observou que, embora o fundamento do TCU para
decretar a imprescritibilidade do ressarcimento tenha se baseado em
decisão do Plenário do STF, de sua relatoria, posteriormente a corte
firmou a tese de que a ação de reparação de danos à Fazenda Pública
decorrente de ilícito civil é prescritível. Ele destacou que, em
situação semelhante à dos autos, foi deferida liminar no MS 34.256, de
relatoria do ministro Luís Roberto Barroso.
A condenação do
sindicato e da presidente da entidade à época teve origem em tomada de
contas especial instaurada pela Secretaria de Políticas Públicas de
Emprego do Ministério do Trabalho, em razão de supostas irregularidades
na prestação de contas relativa à execução, entre 1999 e 2002, do
convênio, celebrado entre a Sert/SP e o sindicato, com recursos do Fundo
de Amparo ao Trabalhador (FAT), também repassados ao estado de São
Paulo por convênio. A tomada de contas foi instaurada em março de 2005, e
o acórdão, publicado em novembro de 2016. Na condenação, o TCU
considerou que as ações decorrentes de ilícitos administrativos são
imprescritíveis.
Lewandowski, porém, salientou que demonstra a
plausibilidade jurídica do pedido o fato de a prescritibilidade da
pretensão de ressarcimento, em razão de ato de improbidade
administrativa, e a prescrição da pretensão de ressarcimento por decisão
do TCU serem temas de repercussão geral pendentes de análise pelo STF.
Apontou ainda que
a possibilidade de imediata execução da condenação e o alto valor da
dívida atualizada monetariamente, calculada em cerca de R$ 613 mil em
outubro de 2016, atendem ao requisito do perigo da demora.
O
sindicato e sua ex-presidente sustentaram que, como sua citação ocorreu
apenas em agosto 2015, mais de dez anos depois de iniciado o
procedimento administrativo, seria direito líquido e certo a declaração
da prescrição. Alegaram que deve ser aplicado ao caso o entendimento do
STF firmado no Recurso Extraordinário 669.069, com repercussão geral.
Argumentaram ainda ilegitimidade passiva para figurar na tomada de
contas especial, pois entendem que caberia ao sindicato prestar contas
unicamente ao Tribunal de Contas do Estado e à Sert/SP, e não ao TCU,
pois o responsável pelos recursos financeiros federais seria o governo
paulista.
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